terça-feira, 23 de junho de 2009

Break the Wall - 20 anos da queda do Muro de Berlim



Philipe Augusto Bastos

Durante a guerra fria o mundo se via dividido, como bem sabemos, entre dois blocos. Cada um deles buscando ter influência sobre paises considerados estratégicos para as suas futuras pretensões de expansão político-ideologica. Mas, dentre todos os lugares palco destas disputas, nenhum se tornou um símbolo tão grande como a cidade de Berlin, imortalizada pelo muro erguido no meio dela, que a dividia em um lado comunista (RDA) outro capitalista (RFA). O muro que foi responsável pela separação de famílias e por repreender aqueles que buscavam as aventuras do lado ocidental.


Apesar de construída às pressas na madrugada de 13 de agosto de 1961, o plano para o muro já era bem mais antigo. Na época, o então comandante da RDA (sigla que quer dizer Republica Democrática Alemã), Walter Ulbricht, já fazia solicitações a Nikita Khrushchov e ao Pacto de Varsóvia para poder fechar as fronteiras e interromper os transportes públicos com a Berlin ocidental. Esta medida adotada por Walter tinha um motivo lógico: as condições em que viviam os moradores da RDA tornavam a outra Berlin um paraíso, um lugar sem restrições severas a liberdade de expressão e que poderia se conseguir o que queria sem muita burocracia do estado, o que ocasionou migrações em massa do lado oriental para o ocidental, situação que obviamente não foi vista com bons olhos pelo governo de Walter.



Após ser aprovada pelo Pacto de Varsóvia, no dia 11 de agosto, o exército se deslocou até as fronteiras com a RFA (sigla que quer dizer Republica Federal Alemã) para poderem no dia 13 bloquear as vias de acesso e assim assegurarem a construção do muro e a intransitividade dos civis pela fronteira. Tais ações, é claro, não foram aceitas de bom grado pelas autoridades federalistas, que em resposta organizaram manifestações populares, não conseguindo interromper a construção. Com essa demonstração de fracasso, tudo o que restava era entrar em contato os aliados buscando apoio para intervenção. Apesar do profundo desejo dos americanos de se intrometerem, eles nada poderiam fazer abertamente, como foi visto no dia 27 de outubro quando tanques americanos e soviéticos se encontraram, mas não se digladiaram, com medo de iniciar uma guerra nuclear. Assim se encerravam as discussões sobre a construção do muro como foi dito por J. F. Kennedy: A solução não é muito linda, mas mil vezes melhor do que uma guerra.


Durante a estadia do muro varias foram as tentativas de transpor um de seus 66,5 km, que graças as 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda que tornavam dificeis as tentativas de “fuga” para o lado ocidental e facilitavam a prisao dos que ousavam, varias vezes ocorrendo óbitos, tanto dos “rebeldes” republicanos como os de alguns guardas. O muro de Berlin sobreviveu há 28 anos, quando na noite de 9 de novembro de 1989 o muro caiu. Mas, antes de sua queda já havia um intenso numero de protesto de ambos os lados que só pediam unicamente a liberdade de transitar naquilo que um dia foi um pais unido.


Para alguns a queda do muro simbolizava algo maior que estava por vir ao mundo, para outro marca a reunificaçao de uma alemanha ainda fragilizada, que serviria de motor para uma populaçao que precisava se unir e que com isso motivaria o crescimento do pais.O que resta do muro hoje está preservado como forma de recordaçao, para que o povo nao se esqueça dos amargos tempos da guerra fria e da repressao, mas tambem para lembra-los que um muro é um simples obstaculo que nao pode ser capaz de impedir a uniao de um povo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um passo no vácuo


Desde os primórdios a lua provoca um grande fascínio no homem. Foram construídos calendários e templos erguidos para a adoração deste astro que circula ao redor de nosso planeta. Apesar da distancia existente entre os dois, cerca de 384.405 km, o homem nao perdeu o desejo de um dia pisar em solo lunar e deixar para sempre a sua marca. Por isso, o  Atos e Fatos relembra esse fato histórico que, em 2009, completa 40 anos.


Philipe Augusto Bastos


Com o fim das relações “amistosas” entre os EUA e URSS no pós-guerra, o mundo mergulhava em um clima de muita tensão. Estes blocos de ideologias antagônicas criaram os mais diversos tipos de rivalidades, que apesar de muitas vezes infantis se mostraram muito úteis para nós. Como caso clássico, temos aquilo que se chamou de corrida espacial, a mais conhecida das disputas entre estes dois paises que terminaria com o triunfo americano em meio às diversas controvérsias sobre a veracidade dos fatos apresentados pelos vencedores.

 

Colocado um ponto final no conflito entre os aliados e o eixo, começava a ser posto em prática a pilhagem, nas terras alemãs, de mentes responsáveis pelos grandes inventos da maquina nazista. Entre os vários inventores, os mais cobiçados eram aqueles responsáveis pelos Vergeltungswaffe 2 ou V2; foguetes balísticos que foram as bases para os projetos espaciais de ambos os lados. Entres as mentes cobiçadas havia uma em especial, Wernher Von Braum um dos principais projetistas de mísseis e, futuramente, o responsável pelos primeiros passos do programa espacial estadunidense.

 

 Foi ele quem lançou o Saturno V, que levou todas as naves Apollo para a lua. Mas, apesar de ter pego o principal projetista, as explorações espaciais começaram com um empurrão dos “vermelhinhos”, ou seja, dos Russos comunistas,  com o lançamento do satélite Sputnik de uma base localizada no Cazaquistão. A partir daí estava iniciada a histeria em ambos os lados com mais e mais projetos para saber quem, efetivamente, chegou à Lua primeiro.

 

Após o lançamento do Sputnik o que interessava não era mais mandar engenhocas metálicas e barulhentas para o vácuo, e sim mandar vida para ele. Esta ambição se deve principalmente ao grande engenheiro soviético Sergei Korolev, que convenceu o então líder Nikita Khrushchov a investir no programa espacial soviético, responsável pelo envio do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Kudriavka da raça laika; e posteriormente o primeiro astronauta no espaço em vôo orbital, Yuri Gagarin.

 

Apesar do euforismo russo, os americanos não ficaram para traz, e para fazer frente ao Sputnik, criaram projetos de satélites como o Explore – embrião de uma da internet -  e o Discoverer, projetos que antecederam aquilo que mais se ambicionava: fazer um homem pisar em solo lunar. Este sonho americano foi realizado no dia 20 de junho de 1969, quando Neil Armstrong e  Edwin Aldrin, abordo da Apollo 11, pousaram no mar da tranquilidade e caminharam em solo lunar, eternizando este momento com a frase: "Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade".

 

Apesar de haver muitas controvérsias sobre a chegada do homem à lua e a existência de teorias afirmando que tudo não pasou de uma mera ilusao cinematografica, não se pode negar que todo o alvoroço causado por essa disputa em busca de poder e status refletiu de forma positiva na industria aeroespacial e na astronomia. Novos naves foram criadas, novas teorias lançadas e assim se tornou mais facil entender o nosso sistema solar e tambêm a origem de nosso universo. Ao andar na lua o homem deixo marcas profundas, mas, a mais importante não ficou lá impressa, e sim aqui na nossa cultura e sociedade.

     

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CUBA – 50 ANOS DO TRIUNFO SOCIALISTA


                       

 O cenário cubano com Fidel no governo



Afonso Bezerra


Durante seis anos, desde o ataque ao quartel de Moncada no ano de 1953, Fidel Castro foi juntando forças para travar uma luta contra o governo de Fulgêncio Batista. Após ser anistiado, e viajando pelo México, Fidel conheceu Ernesto Che Guevara. Junto com Che, seu irmão Raúl Castro e outros camaradas, Fidel organizou a estratégia de ataque á Havana, o que resultaria na etapa final da Revolução Cubana. Utilizando-se de rádio para se comunicar com o povo Cubano, Fidel conseguiu espalhar o sentimento de romper com o sistema ao mesmo tempo com que avisava ao governo que a Revolução estava chegando.

Com a renúncia de Batista no dia 1° de Janeiro, a Ilha passou a ser governada por um novo homem e por uma nova concepção de estrutura política. A esperança encontrou abrigo no mar tropical da Ilha do Caribe.  Durante todo o processo de vinda á Cuba, Fidel e Che, junto com Raúl, não encontraram facilidade. Sofreram perseguições e travaram conflitos pesados. E por onde passavam deixavam a mensagem de que aquela missão era pra reconstruir Cuba. No projeto político da Revolução tinha um Reforma Agrária digna de por fim a exploração no campo; uma organização no meio social urbano que, a partir das máfias e do segundo golpe de Batista, cresceu assustadoramente.

Segundo números de órgãos de pesquisa cubanos, quando Castro assumiu, em 1959, Cuba tinha mais de 1/3 da população analfabeta e 20 mil mulheres na prostituição. O paraíso dos cassinos, dos bares, das belas praias era mais uma maquiagem da crua realidade cubana. Quando os revolucionários assumiram o governo, uma mudança radical apontava na esquina, e a classe burguesa de Cuba sabia que não teria mais o privilégio que tivera em outros tempos. Fidel, sabendo que existiria pressão dessa parte, antecipou: quem não quer mudar Cuba, saia.

Muitos dizem que Fidel Castro junto com Che organizou uma revolução socialista. Mas, na verdade, eles se denominaram marxista-leninista um ano depois, ao selar um acordo econômico com União Soviética, representante do comunismo internacional. Essa aliança política foi o estopim para que os EUA financiassem ditaduras militares na América Latina – uma delas aqui no Brasil (1964/1985) – no plano de combate a ameaça comunista e realizar o embargo econômico á Ilha, isolando-a do resto do mundo. Após o fim da URSS, Cuba sobrou na história como o último país a sustentar o socialismo no mundo.

Enquanto contava com o apoio da União Soviética, Fidel deu um salto na política social cubana, revitalizando grandes hospitais, investindo num sistema de prevenção de doenças populares e aumentando o incentivo da ida á escola, reduzindo o número de analfabetos. Com isso, reduziu o número de mulheres e homens trabalhando à margem da sociedade. Contudo, após perder um forte aliado que foi a URSS, Cuba enfrentou graves problemas econômicos. Em virtude do embargo, o “desenvolvimento” não chegou à ilha. Circulam nas ruas de Havana ainda os antigos carros da década de 50; não existe aparelho de celular, um mundo fechado na Globalização. Mas o que muitos historiadores questionam é se realmente importa o desenvolvimento do mundo globalizado aos cubanos, uma vez que as necessidades essenciais existem e em ótima qualidade

Em muitos países onde tem celular e computador há mendigos, moradores de rua, hospitais públicos em péssimas qualidades, diferentemente de Cuba, que é um país subdesenvolvido, que não tem celular e computador, carros importados e potentes, mas, em contrapartida, é considerado o melhor centro médico do mundo, um índice de pobreza mínimo sem indícios de moradores de rua e com uma educação de qualidade. Nesse aspecto fica complicado defender Cuba sem morar na ilha. Mas o que é bem verdade é que as críticas construídas sobre Cuba vieram do ponto de vista político, apenas.

 

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

CUBA- 50 ANOS DO TRIUNFO SOCIALISTA


              O cenário de cuba antes da Revolução


Afonso Bezerra

 

 

Encontrar argumentos para defender o socialismo em Cuba sempre foi uma tarefa árdua, principalmente por conta de a força militar de Fidel governar a Ilha. No entanto, é fato que, mesmo com o regime fidelista, Cuba prosperou em vários setores da sociedade que são de grande importância para o desenvolvimento de um país, como Educação e Saúde, com destaque para o período em que contava com o apoio internacional da União Soviética, onde muitas vezes Cuba superou os países desenvolvidos com o avanço de tecnologias na saúde e no combate ao analfabetismo.

 

Historicamente, Cuba sempre foi aviltada de várias formas. No século XV, sofreu com a expansão do colonialismo europeu, principalmente o espanhol, que sugou a economia da ilha com a produção do Rum e com cana-de-açúcar. Tempos depois, já no século XX, logo após a Segunda Guerra Mundial, os EUA tornaram-se a maior economia do mundo, colocando para funcionar a todo vapor a indústria da construção civil, para reconstruir a Europa destruída pela guerra. Além desses investimentos, do período posterior a Segunda Guerra, cresce a máfia americana, que vai encontrar espaço ideal para florescer os negócios em Cuba.

 

O governo norte-americano, sabendo que aquela medida poderia salvar o país da crise de 1929, tomou providências de agilizar um governo que soubesse lidar com a situação dos jogos de azar, dos prostíbulos, que afundaram  Cuba num caos social. Em meio a esse jogo político, o golpe militar de Fulgêncio Batista, em 1952, foi um sucesso, para os americanos, e uma infelicidade para os Cubanos. Nesse “mundo” grotesco, de exploração econômica, desigualdade social, um jovem se forma em Direito e, junto com o diploma, vem algo muito mais importante do que um titulo de advogado: uma concepção de mudança para Cuba.

 

O nome desse nobre Advogado, filho de Usineiro, é Fidel Castro. Durante o período universitário, Fidel conheceu alguns ativistas políticos de Cuba, que traziam uma idéia forte de oposição ao governo de Fulgêncio. Muitos vinham com teorias marxistas, outros anarquistas, mas o que Fidel queria mesmo era ajudar o povo cubano. Mesmo assim, aliou-se a um grupo de esquerda e realizou, em 1953, o ataque ao quartel de Moncada, que foi uma investida frustrada. Fidel acabou preso e, durante um julgamento que ele mesmo fez a própria defesa,  foi julgado e condenado a 15 anos de prisão. E mais, ao terminar o seu discurso, disse: La História me absolverá.

 

Exilado no México, Fidel conhece através de seu irmão, Raul Castro, um médico humanista que acabara de andar por toda a América prestando solidariedade aos mais pobres. Juntos, os barbudos e astutos revolucionários, formam um estratégia de volta à Cuba. A notícia da revolução corre por todo o país e o carisma dos dois vai crescendo com a população. No dia primeiro de 1959, o ano novo seria, realmente, um sinal de mudança. Naquele primeiro dia de um ano novo, a Revolução Cubana, que ainda não era socialista, triunfava para o bem – ou para o mal, talvez – do povo cubano. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

>>Especial 90 anos de Primeira Guerra Mundial


A construtora do mundo atual

Há 90 anos o mundo via o fim do então maior conflito da história, que não só redesenhou as fronteiras do mundo como também demonstrou que a paz que acreditávamos existir ainda estava muito longe de ser alcançada.

 


Philipe Augusto Bastos 


O mundo sofreu varias transformações para chegar ao que é hoje, tanto geograficamente quanto sócio-politicamente. Mas, de todos os episódios vividos no inicio do conturbado século 20 o mais marcante com certeza foi a primeira guerra mundial. Apesar de acreditarem que o seu início se dá em 24 de julho de 1914, com a morte do arquiduque Francisco Ferdinando, é errôneo pensar que a grande guerra, como também era conhecida, se limita a um assassinato político causado por um jovem sérvio que pertencia a uma organização que buscava a independência de seu país do então ainda poderoso império Austro-Húngaro. Para entendermos realmente a primeira guerra, devemos nos voltar para o séc.XVIII, em especial para a África, durante o processo de divisão da mesma pelo imperialismo dos paises europeus.

A África como muitos de nos sabemos, se mostrou muito útil para os paises europeus, que a tragaram como sanguessugas e que se aproveitando de sua fraqueza militar, engordaram com os recursos ali existentes durante todo o período mercantilista. Com a crescente industrialização e o aumento da produção européia houve a necessidade de se expandir o mercado consumidor que novamente levou o continente africano a ser palco, agora, de um conflito por consumidores, que rasgariam o território africano de acordo com o interesse europeu, sem levar em consideração rixas tribais causadoras de guerras civis que perduram até nossos dias. Essa divisão, apesar de tudo, não satisfez todos os paises europeus como a Alemanha e a Itália, que se achavam desfavorecidos com a partilha feita.

 

Com a semente já plantada tudo o que se fez foi regar e esperar que a muda brotasse e a árvore crescesse, sendo os frutos colhidos em 24 de julho de 1914, onde se aproveitando da morte do arquiduque, os paises da tríplice entente (França, Grã-Bretanha e Rússia) e da tríplice aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) se digladiaram por atritos antigos em busca de uma possível “vingança”, como entre a Alemanha e a França pelos os territórios de Alsácia e Lorena antigas composições da França e que agora davam auxilio ao progresso alemão com suas jazidas de ferro e carvão, bases para a indústria.

 

Apesar de todas as desgraças trazidas pela guerra, devemos observar o lado positivo desse conflito que foi o responsável pelo maior e mais rápido avanço da época. É em meio a esses turbulentos 4 anos de conflitos que vemos a consolidação e aperfeiçoamento do avião e do submarino invenções  que se tornaram de grande importância estratégica durante a guerra e que hoje se tornaram importantes meios de transporte e de pesquisa, respectivamente. Para as comunicações temos utilização em larga escala do telegrafo que facilitou a introdução posterior do telefone e do aperfeiçoamento das malhas ferroviários que agilizavam o transporte de suprimentos e soldados, e que futuramente serviram positivamente para a interligar regiões de difícil acesso e para encurta o tempo que se levava para chegar nessas regiões. Vendo estas realizações é que percebemos o importante papel da primeira guerra, também como impulsionador do desenvolvimento do homem no século XX, finalmente o trazendo para a modernidade.

Com o fim da primeira guerra o cenário que vemos é de um mundo não só destruído como também totalmente repaginado, constituído de novos paises como o Iraque e a Lituânia; de fronteiras como a da Alemanha, que foi esquartejada; de uma nova superpotência, como os EUA, o verdadeiro vencedor, já que não teve uma só bala inimiga disparada em seu território e suas fabricas ficaram intactas para que pudessem posteriormente vender para os paises destroçados o que lhes fossem necessário para se reconstruírem; e principalmente de idéias, pois foi durante e depois da  primeira guerra é que vemos as ideologias socialistas e nazi-fascistas se consolidando, que foram de fator importante para construção de nossa sociedade atual, comprovando assim a relevância desse momento não só na construção de nossa historia como também na construção de nosso mundo.          

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

1969 - 2009 - Mais um ano redondo para história.

O ano que vem chegando não vai ser muito diferente de 2008. Esse ano lembramos algumas datinhas importantes para o mundo da história. Tivemos 200 anos da corte portuguesa no Brasil; 150 da Lei Áurea; 100 da imigração japonesa; 50 da Bossa Nova e da  primeira Copa do Mundo que o Brasil ganhou; lembramos de 1968 - O Ano que não terminou para o Brasil e para o mundo e, por fim, comemoramos os 20 anos de Constituição Federal no Brasil. Ou seja, foi um ano redondo para História. 

O leitor atento ao blog Atos e Fatos da História sabe que o ano de 2009, também, nos traz umas datinhas importantes, como a queda do Muro de Berlim, Revolução Cubana e a Chegada do Homem à Lua. Portanto, espere que o AFH, em 2009, virá redondinho para você. Um bom 2009! 

A trajetória do Movimento Estudantil no Brasil


O caminho traçado pelos estudantes em quase dois séculos de luta e as influências do Movimento Estudantil, como Teorias Iluministas, Woodstock e Revolução Cubana, que sacudiram as Universidades.Uma viagem na história do ME e a sua "cara" na atualidade.


Afonso Bezerra 


Ainda existe o Movimento Estudantil? Essa pergunta permanece no imaginário de todo cidadão brasileiro quando ele vê nas telas da TV ou na internet alguma notícia sobre protestos envolvendo estudantes e o estado brasileiro. A imagem que se destaca na lembrança é a da grande movimentação de resistência em 1968, durante o endurecimento do Regime Militar, mas a história de luta dos estudantes é longa e, às vezes, nem muito branda. O  caminho seguido pelos estudantes foi muito longo e cheio de oscilações: vivia naquela linha que divide um movimento combativo e uma atuação pelega. Das primeiras influencias e ações no século XVIII até os dias atuais, os estudantes têm o mesmo papel dentro da sociedade: ser a vanguarda da luta social.  

A existência é de longas datas. No final do século XVIII, jovens da alta classe brasileira retornavam ao país, depois de um bom tempo de faculdade na Europa, querendo por em prática as teorias dos famosos livros do século das luzes. As bases teóricas que esses jovens depositam num Brasil ainda agrário e colônia transformam, embora que em pequena proporção, a realidade brasileira. A proporção é menor devido aos interesses da elite, que adaptavam as idéias libertárias européias ao seu modo de vida aqui no Brasil.  Da participação na Inconfidência Mineira, passando pela luta republicana e a favor da abolição da escravatura, até a formação da UNE durante o governo Vargas, a luta foi permanente e ofensiva contra as atrocidades do estado cometidas contra a população e a comunidade acadêmica.

A UNE – União Nacional dos Estudantes - foi criada no ano de 1937 e foi considerada a entidade de maior  representatividade do meio estudantil, porém ficou em águas mornas durante um bom tempo, devido à repressão do governo Vargas. Naquela época os movimentos sociais estavam desligados por conta da repressão ou estavam na “baia da saia” do governo, recebendo dinheiro em troca do silêncio. Com a influência dos comunistas, liderados por Luís Carlos prestes com a fundação do PCB em 1922, as chamas combativas reacenderam nas faculdades, agitando quem queria um Brasil melhor que aquele. Sempre em busca do progresso e do desenvolvimento, faz-se a marca da tropa de choque da revolução social brasileira.

Sempre presentes nas transformações políticas e sociais, o ME foi, em algumas épocas, carro chefe das mudanças no país. Após o Golpe de 1964, as entidades estudantis, puxadas pela UNE, foram mais que importantes para criar uma oposição construtiva e determinada na luta por liberdade. Mas, como qualquer movimentação política tem sua inspiração, o ME tinha a sua. Naqueles ares pós-64, liberdade era uma palavra fora do dicionário, porém muito aspirada por quem queria um Brasil nos trilhos do progresso. É bem verdade que a década de 60 foi um período onde a política internacional vivenciou a angustia americana na Guerra do Vietnã e vários movimentos surgiram contra a situação imposta pelos EUA.

Grandes revoluções  influenciaram a revolução brasileira durante o Regime Militar. Cinco anos atrás tivemos a Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro e Enersto Che Guevara. Uma luta travada nos moldes militares, trazendo como essencial posição revolucionária a disciplina. O sucesso da luta de Che e Fidel contra o regime de Fulgêncio, que era um fantoche americano, exaltou a juventude brasileira, que tinha a luta em Cuba como exemplo de exaltação e combate. Depois de longos, cansativos e infrutíferos cinco anos em conflito no Vietnã, os EUA viram surgir um movimento de contracultura, o famoso Woodstock. No ano de 1969, meio milhão de pessoas insatisfeitas com a crise do sistema, aderia à idéia do Fugere Urben e partia para o campo cantar “Faça amor, não faça guerra.”, em oposição às atitudes americanas.  

 

A disciplina e rigidez de Cuba junto com a transcendência da liberdade em Woodstock foram ingredientes fortes para o prato da revolução brasileira. A França com seus estudantes também teve papel importante na luta aqui no Brasil. Romper com os Militares virou a ordem do dia e votar era o sonho de cada jovem. Em 1984, a UNE com o PCdoB e o PT – à época partidos de esquerda – foram às ruas lutar por Diretas Já. E conseguiram, embora que sofrendo algumas restrições e redundâncias.  Em 1992 ganham destaque no engodo, comandado pela Globo, dos chamados caras pintadas para tirar Collor do governo. Na luta por acabar com a corrupção no governo brasileiro, os estudantes pintaram a cara de verde e amarelo e pediram o Fora, Collor. Esse movimento marcou o inicio da modernidade do ME.

No apagar das luzes do governo Liberal de FHC e caminhando para a primeira eleição de Lula – depois de três tentativas – a UNE realizou seu objetivo de lutas, nos quase 40 anos de militância. E é justamente por isso que muita gente acredita que o ME não existe mais: pela falta de combatividade e da inerência ás medidas do governo Lula, que não correspondem aos anseios antigos e comandados pela UNE. Hoje, o que marca luta estudantil é a briga pela não aprovação do REUNI, que é um decreto do Governo Federal que abre as portas das Universidades, ampliando o número de Vagas sem qualidade de ensino. O REUNI, hoje, é detentor de muita controvérsia.  Mesmo sem tanta iluminação combativa, agindo à surdina revolucionária, o ME permanece atento as mudanças e cria suas ramificações, rompendo com a  UNE, que não é mais a mesma.

 


 
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